Título do livro: Velhos AmigosAutor(a): Ecléa Bosi
Editora:Companhia das Letras
Professora: Maria Alice
Ano do ciclo: EJA- Seg Fund. II
Tempo previsto: 1 trimestre
Produto final : Revista /jornal : Coletânea de textos dos alunos
(relatos , lembranças, o “guardado na memória do afeto”).
Resenha
O que encanta na obra é a proximidade e delicadeza com que a autora relata essas histórias, “verdadeiros tesouros da memória”, calcadas no cotidiano das pessoas, segundo ela, que é de onde “ brota a magia”.
O melhor do livro é descobrir, entre as suas narrativas “que a vida de qualquer um de nós pode ser também uma linda história para um dia ser contada e escrita”.
1.Possibilitar o ensino da oralidade e da escrita a partir de um encaminhamento ao mesmo tempo, semelhante e diferenciado.
2.Reconhecer as dimensões textuais da expressão oral e escrita (em diferentes situações de comunicação). Reconhecer os padrões da língua escrita.
3.Favorecer a produção de texto a partir da interação com textos-modelo como referência .
4.Ampliar a competência discursiva do aluno para o diálogo com outros textos (obra citada. NÓBREGA, p. 3).
5.Reconhecer a estrutura composicional, universo temático e estilístico de textos da esfera do relatar/narrar.
6.Contribuir para a produção de textos de autoria.
7.Desenvolver operações de coesão, conexão e segmentação do texto através de marcadores temporais e argumentativos. Articular a narrativa em seqüência temporal /espacial para favorecer a coesão.
8.Recuperar informações implícitas e explícitas nos textos .
9.Possibilitar o desenvolvimento da leitura autônoma.
10.Estabelecer relação entre elementos paratextuais como título da obra, sumário, textos de capa, apresentação, etc.
11.Estabelecer conexões entre os textos e os conhecimentos prévios, crenças, valores.
Bibliografia para o professor
CASSANY , Daniel . Evaluación de textos escritos - Universitat Pompeu Fabra, Barcelona ,2007.
NÓBREGA, Maria José. Categorias Didáticas de Produção de Textos. Dissertação de mestrado apresentada na USP, 2000.
Sequência de atividades de leitura compartilhada do texto “Ao alcance da mão” (atividade disparadora de preparação para a leitura autônoma).
1.Solicitar aos alunos que manuseiem o livro, atentos às informações ou pistas sobre o assunto de Velhos Amigos (capa, orelhas , contracapa, sumário).
2.A partir dessas informações, levantar hipóteses sobre o “fio-condutor” do livro.
3.Atividade individual : sugerir que pensem /lembrem de alguma fábula ou conto do folclore , um causo de que tenham ouvido falar na infância e que “ ficou na história”. Ressaltar:
· Onde aconteceu?
· Quando?
· Quem (ou o quê) estava envolvido?
4.Preparar-se para contar para a classe.
1.Pesquisar no livro informações sobre a autora, Ecléa Bosi e sobre o ilustrador, Odilon Moraes .Verificar o ano de publicação do livro .
2.Trocar informações sobre o que encontraram. Discutir com os alunos o papel da ilustração em um texto.
O que ela diz? Combina com o texto escrito? Complementa?
3.Leitura coletiva do primeiro texto “Ao alcance da mão”. (Num primeiro momento, o professor pode conduzir a leitura em voz alta, se achar interessante).
Ao alcance da mão
De onde vêm as histórias? Elas não estão escondidas como um tesouro na gruta de Aladim ou um baú que permaneceu no fundo do mar. Estão perto, ao alcance de sua mão. Você vai descobrir que as pessoas mais simples têm algo surpreendente a nos contar.
Uma jovem certa vez perguntou ao educador Paulo Freire como ele havia conseguido entender gente de tantos países e ser admirado por povos de línguas e culturas tão diferentes. Ele revelou um segredo. Quando menino, nas ruas e pontes da sua cidade do Recife,vivia conversando com velhos, mendigos, vendedores ambulantes. Tinha recebido deles um coração aberto a todos os viventes.
Nunca nos cansamos de escutarfábulas e contos do folclore porque eles têm raízes profundas na humanidade.
Foram criados há muitos séculos e nos acompanharão sempre. Que diferença das histórias sem raízes que você escuta hoje e esquece amanhã!
Os adultos são gente séria, que parece ocupada dia e noite, mas do seu trabalho pode sobrar um pouco de fantasia para nós. A costureira deixa cair retalhos de tecidos de todas as cores no chão. O marceneiro, pedacinhos de madeira. A cozinheira faz um desenho com os grãos de feijão que escolhe na mesa, e quem varre a casa pode dançar com a vassoura. É do cotidiano que brota a magia, a brincadeira que vai transformando uma coisa em outra.
Se conto histórias é porque em longas caminhadas precisava distrair meus amiguinhos: dessa maneira encurtava estradas sem fim.
Abra os olhos e apure os ouvidos. É só prestar atenção. Ao pintor que, do alto da escada, com seu gorro de jornal, vai colorir as paredes da casa. Ao padeiro que hoje se inspirou e fez pães em forma de dragão e tartaruga (não passe indiferente pela vitrine).
Você testemunha grandes e pequenos episódios que estão acontecendo à sua volta. Um dia será chamado a contar também.
Então verá que o tecido das vidas mais comuns é atravessado por um fio dourado: esse fio é a história.O que está escrito neste livro sempre esteve ao alcance da mão, e, se lhe alegra saber, tudo é verdadeiro.
Um trem cheio de crianças numa gravura do quarto da avó: dele desceram "As crianças de Parma". A onça do cerrado está de tocaia em sua grota no fundo do rio seco.
"O mistério da bengala oca" aconteceu tintim por rintim, e dona Ema ainda lembra, para nossa alegria.Dominguinho conta de novo, para os que quiserem ouvir, sua aventura nas "Sete cachoeiras".
Quem não deseja ter uma ilha? Poucos conseguem encontrar a sua, mas seu Liberato apartou na "Ilha da maré." Velho em cadeira de balanço é boa história na certa.Foi assim que escutei "Pinóquio em Auschwitz", O arcebispo e o pastorzinho", "Os dois judeus de cabelo vermelho" ...
Quando um avô fica quietinho, com o olhar perdido no passado, não perca a ocasião. Tal como Aladim da lâmpada maravilhosa, você descobrirá os tesouros da memória.
Se ter um velho amigo é bom, ter um amigo velho e ainda melhor .
BOSI, Ecléa -Velhos Amigos. Companhia das Letras, 2ªed. 2004, p. 9-11
Sugestões de abordagem :
a) Segundo a autora, de onde vêm as histórias?
- Fazer referência à gruta de Aladim , tesouros no fundo do mar. Ficar atento às representações dos alunos sobre esses contos infantis.
"Os adultos são gente séria, que parece ocupada dia e noite, mas do seu trabalho pode sobrar um pouco de fantasia para nós. A costureira deixa cair retalhos de tecidos de todas as cores no chão. O marceneiro, pedacinhos de madeira. A cozinheira faz um desenho com os grãos de feijão que escolhe na mesa, e quem varre a casa pode dançar com a vassoura. É do cotidiano que brota a magia, a brincadeira que vai transformando uma coisa em outra".
c) Sugerir que comentem o trecho com um colega , destacando a frase “É do cotidiano que brota a magia, a brincadeira que vai transformando uma coisa em outra”. Completar a proposta, com os parágrafos 7 e 8:
"Você testemunha grandes e pequenos episódios que estão acontecendo à sua volta. Um dia será chamado a contar também. Então verá que o tecido das vidas mais comuns é atravessado por um fio dourado: esse fio é a história".
- Expor oralmente suas ideias aos colegas.
5. A apresentação do livro Velhos Amigos é feita pela escritora mineira, Adélia Prado.
Analisar a maneira com que ela “abre” o livro. Como se pode explicar a sua escolha? Justificar o seu ponto de vista.
6. Agendar com os alunos a leitura completa do livro .
1. Fazer uma lista das “melhores histórias” segundo os alunos , e analisar os seus critérios de escolha:
- tema interessante? o quê se fala? de quê se fala?
- a condução /sequência da narrativa?
- características das personagens? recursos de expressão utilizados?
- a linguagem?
- o desfecho da história?
2. Solicitar que registrem (em duplas) suas explicações e justificativas, com exemplos extraídos dos textos.
3. Compartilhar suas impressões com a classe.
4.Como síntese do trabalho, propor aos alunos que pensem em algum fato, algo que presenciaram, aconteceu perto deles....com eles ..... e que escrevam “essa história”.








