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A produção de um artigo de opinião na esfera jornalística pressupõe a existência de uma situação social de comunicação no qual estão envolvidos , um jornal ou uma revista ( impresso ou digital ) , um editor, um articulista - em geral convidado por ele, e leitores interessados em ler, discutir, conhecer pontos de vista sobre determinados assuntos. Nesse sentido, pode-se dizer que um artigo de opinião não é a divulgação de um fato, mas uma “resposta” ao que já foi dito sobre ele. No artigo de opinião o autor emite um ponto de vista sobre um tema e incorpora ao seu discurso a fala de outras pessoas que já se pronunciaram a respeito desse tema , o que significa dizer que no artigo de opinião estão presentes diferentes vozes. Todo esse movimento é feito tendo em vista o leitor, uma vez que os articulistas escrevem para convencê-lo ou persuadi-lo. O tom, portanto, é de convencimento.
Por que a escolha do gênero artigo de opinião na esfera escolar?
“Primeiro, por ser um gênero argumentativo, o que permite o desenvolvimento de capacidades argumentativas – tanto em relação à leitura quanto à produção de textos. Segundo, porque os artigos de opinião discutem questões/problemas sociais relevantes e atuais, o que possibilita a concretização dos princípios de organização curricular – da contextualização e da interdisciplinaridade (já que o entendimento desses problemas e a proposição de soluções não raras vezes demandam um enfoque de mais de uma disciplina). Terceiro, pelo fato de que a discussão desses problemas sociais relevantes proporciona ao aluno a chance de desenvolver sua criticidade, ampliar sua possibilidade de participação social e vir a se interessas mais pelos problemas que envolvem a sociedade” .
BARBOSA, Jacqueline P. Material do Aluno.Secretaria do Estado para o Ensino Médio, 2004, p. 50.
Argumentação
Algumas considerações - Patrick Charaudeau
“Merece relevo[ ...]a afirmação de Charaudeau de que argumentar é uma atividade discursiva que visa a uma busca de racionalidade - ideal de verdade quanto à explicação de fenômenos do universo - e uma busca de influência - ideal de persuasão , que consiste em fazer com que outro partilhe um certo universo de discurso, levando-o a ter os mesmos propósitos.Ele sublinha que a argumentação é uma totalidade que o modo de organização argumentativo contribui para construir, isto é, esse modo de organização do discurso permite construir argumentações sob diversas formas, numa dupla perspectiva de razão demonstrativa (estabelecimento de elos de causalidade entre duas ou mais asserções) e razão persuasiva (estabelecimento da prova com auxílio de argumentos que justificam a tese dos elos de causalidade que ligam as asserções entre si) . [...]
“O dispositivo argumentativo, na concepção do lingüista francês é constituído de três quadros: propósito, proposição e persuasão. O propósito,como já foi afirmado antes, corresponde à tese, composta de uma ou mais asserções que afirmam algo sobre os fenômenos do mundo. A proposição configura um quadro de questionamento em que pode haver uma tomada de posição do sujeito argumentador (refutando uma tese de outrem ou justificando uma tese própria ou de outrem ) ou uma não-tomada de posição (em que se verifica uma ponderação: o argumentador não se mostra favorável nem desfavorável à tese, mas justifica essa não-tomada de posição). Na persuasão, o locutor estabelece a prova da posição adotada na proposição.
No artigo L'argumentation n'est peut-être pas ce que l'on croit (1998), Charaudeau
afirma que o argumentador se entrega a uma tripla atividade: problematizar, elucidar e provar. A problematização é uma atividade cognitiva que corresponde a "fazer-saber" do que trata o texto e em que é preciso pensar. Em outras palavras, consiste em propor-impor ao interlocutor um quadro de questionamento que coloca em oposição duas asserções em relação a cuja validade o sujeito-alvo é levado a se interrogar. A elucidação consiste em fazer-compreender as razões que são admitidas por hipótese para explicar o estado do fato asseverado ou as conseqüências possíveis deste sobre a sequência dos acontecimentos. É o universo discursivo da causalidade. A prova corresponde um "fazer-crer", que fundamenta o valor de uma elucidação. O sujeito argumentador deve se posicionar em relação à validade de elucidações possíveis e dar ao interlocutor os meios de julgar a validade do ato de elucidação que foi instaurado a partir da problematização inicial. Podemos concluir que, na teoria charaudeana, a problematização equivale à proposição e a prova corresponde à persuasão.
O autor ressalva, contudo, que "a existência de um dispositivo argumentativo não prevê a forma particular que toma uma argumentação num texto" (CHARAUDEAU, 1992, p. 809) e destaca que é em função da situação de comunicação em que está inserido o sujeito que argumenta e de seu projeto de fala que serão utilizados os componentes do dispositivo argumentativo.
(GIERING, Maria Eduarda e MELLO, Vera Hekena . Gêneros textuais e a atividade argumetativa em sala de aula . In. Gêneros Textuais: Teoria E Prá II. Palmas e União da Vitória PR: Kaygangue, 2005, p.110-1)
*Patrick Charaudeau, professor de Ciências da Linguagem na Universidade de Paris XII e director do Centro de Análise do Discurso é considerado uma das maiores autoridades em Análise do Discurso. Entre as suas obras estão Discurso Político, Discurso das Mídias e Dicionário de Análise do Discurso .
A produção de um artigo de opinião na esfera jornalística pressupõe a existência de uma situação social de comunicação no qual estão envolvidos , um jornal ou uma revista ( impresso ou digital ) , um editor, um articulista - em geral convidado por ele, e leitores interessados em ler, discutir, conhecer pontos de vista sobre determinados assuntos. Nesse sentido, pode-se dizer que um artigo de opinião não é a divulgação de um fato, mas uma “resposta” ao que já foi dito sobre ele. No artigo de opinião o autor emite um ponto de vista sobre um tema e incorpora ao seu discurso a fala de outras pessoas que já se pronunciaram a respeito desse tema , o que significa dizer que no artigo de opinião estão presentes diferentes vozes. Todo esse movimento é feito tendo em vista o leitor, uma vez que os articulistas escrevem para convencê-lo ou persuadi-lo. O tom, portanto, é de convencimento.
Por que a escolha do gênero artigo de opinião na esfera escolar?
“Primeiro, por ser um gênero argumentativo, o que permite o desenvolvimento de capacidades argumentativas – tanto em relação à leitura quanto à produção de textos. Segundo, porque os artigos de opinião discutem questões/problemas sociais relevantes e atuais, o que possibilita a concretização dos princípios de organização curricular – da contextualização e da interdisciplinaridade (já que o entendimento desses problemas e a proposição de soluções não raras vezes demandam um enfoque de mais de uma disciplina). Terceiro, pelo fato de que a discussão desses problemas sociais relevantes proporciona ao aluno a chance de desenvolver sua criticidade, ampliar sua possibilidade de participação social e vir a se interessas mais pelos problemas que envolvem a sociedade” .
BARBOSA, Jacqueline P. Material do Aluno.Secretaria do Estado para o Ensino Médio, 2004, p. 50.
Argumentação
Algumas considerações - Patrick Charaudeau
“Merece relevo[ ...]a afirmação de Charaudeau de que argumentar é uma atividade discursiva que visa a uma busca de racionalidade - ideal de verdade quanto à explicação de fenômenos do universo - e uma busca de influência - ideal de persuasão , que consiste em fazer com que outro partilhe um certo universo de discurso, levando-o a ter os mesmos propósitos.Ele sublinha que a argumentação é uma totalidade que o modo de organização argumentativo contribui para construir, isto é, esse modo de organização do discurso permite construir argumentações sob diversas formas, numa dupla perspectiva de razão demonstrativa (estabelecimento de elos de causalidade entre duas ou mais asserções) e razão persuasiva (estabelecimento da prova com auxílio de argumentos que justificam a tese dos elos de causalidade que ligam as asserções entre si) . [...]
“O dispositivo argumentativo, na concepção do lingüista francês é constituído de três quadros: propósito, proposição e persuasão. O propósito,como já foi afirmado antes, corresponde à tese, composta de uma ou mais asserções que afirmam algo sobre os fenômenos do mundo. A proposição configura um quadro de questionamento em que pode haver uma tomada de posição do sujeito argumentador (refutando uma tese de outrem ou justificando uma tese própria ou de outrem ) ou uma não-tomada de posição (em que se verifica uma ponderação: o argumentador não se mostra favorável nem desfavorável à tese, mas justifica essa não-tomada de posição). Na persuasão, o locutor estabelece a prova da posição adotada na proposição.
No artigo L'argumentation n'est peut-être pas ce que l'on croit (1998), Charaudeau
afirma que o argumentador se entrega a uma tripla atividade: problematizar, elucidar e provar. A problematização é uma atividade cognitiva que corresponde a "fazer-saber" do que trata o texto e em que é preciso pensar. Em outras palavras, consiste em propor-impor ao interlocutor um quadro de questionamento que coloca em oposição duas asserções em relação a cuja validade o sujeito-alvo é levado a se interrogar. A elucidação consiste em fazer-compreender as razões que são admitidas por hipótese para explicar o estado do fato asseverado ou as conseqüências possíveis deste sobre a sequência dos acontecimentos. É o universo discursivo da causalidade. A prova corresponde um "fazer-crer", que fundamenta o valor de uma elucidação. O sujeito argumentador deve se posicionar em relação à validade de elucidações possíveis e dar ao interlocutor os meios de julgar a validade do ato de elucidação que foi instaurado a partir da problematização inicial. Podemos concluir que, na teoria charaudeana, a problematização equivale à proposição e a prova corresponde à persuasão.
O autor ressalva, contudo, que "a existência de um dispositivo argumentativo não prevê a forma particular que toma uma argumentação num texto" (CHARAUDEAU, 1992, p. 809) e destaca que é em função da situação de comunicação em que está inserido o sujeito que argumenta e de seu projeto de fala que serão utilizados os componentes do dispositivo argumentativo.
(GIERING, Maria Eduarda e MELLO, Vera Hekena . Gêneros textuais e a atividade argumetativa em sala de aula . In. Gêneros Textuais: Teoria E Prá II. Palmas e União da Vitória PR: Kaygangue, 2005, p.110-1)
*Patrick Charaudeau, professor de Ciências da Linguagem na Universidade de Paris XII e director do Centro de Análise do Discurso é considerado uma das maiores autoridades em Análise do Discurso. Entre as suas obras estão Discurso Político, Discurso das Mídias e Dicionário de Análise do Discurso .