
Michel Foucault
Conferência de 1969 - Société Française de Philosophie
O apagamento do autor se tornou,para a crítica contemporânea, um “tema cotidiano”, segundo Foucault, filósofo francês . Na sua visão, o essencial não é constatar o desaparecimento do autor, mas, descobrir os “locais onde sua função é exercida”. Localizar os espaços que essa desaparição fez aparecer.
Nesse sentido, o aspecto da questão a que Foucault se atém nesse artigo ( Conferência de 1969 para a Sociedade Francesa de Filosofia) é o da relação do texto com o autor “ a maneira como o texto aponta para essa figura que lhe é exterior e anterior, pelo menos aparentemente” (FOUCAULT,2006, p.267).
Diferentemente de Barthes, para quem o leitor inverte o mito do autor, ou seja, o leitor é responsável por desvelar os sentidos contidos em um texto, Foucault contrapõe duas noções à “ morte do autor”, que bloqueiam a certeza da sua desaparição: a noção da escrita e a noção de obra .
Ao desenvolver a noção da escrita afirma que ela “ se desenrola como um jogo que vai infalivelmente além de suas regras”(...). Para Foucault, a escrita reafirma a existência do autor, de maneira voluntária ou não, uma vez que a sobrevivência de sua obra acaba salvaguardando os seus privilégios no jogo das representações, e formam o que se tem por imagem do autor. “ Dar, de fato, à escrita um estatuto originário não seria uma maneira de, por um lado, traduzir novamente em termos transcendentais a afirmação teológica do seu caráter sagrado e, por outro, a afirmação crítica do seu caráter criador?” (FOUCAULT,2006, p.271).
Foucault discorre daí para o que significa o nome do autor, que não é exatamente um nome próprio , pois sua menção permite agrupar textos, classificá-los, identificá-los, caracterizando um certo discurso, escrito por tal pessoa, por tal autor, em uma dada cultura .
A noção de obra se relaciona intrinsecamente à discussão sobre o autor empreendida por Foucault. “Uma obra não é aquilo que é escrito por aquele que é um autor?” “ Dentre os milhões de traços deixados por alguém após a sua morte, como se pode definir uma obra?” “Será que tudo o que ele escreveu ou disse, tudo o que ele deixou atrás de si faz parte de uma obra?” (FOUCAULT,2006, p.271-2).
Para Foucault, há inúmeras questões quando se examina a noção da obra, e que são ,certamente, tão problemáticas quanto os temas suscitados pela individualidade do autor.
FOUCAULT, Michel. O que é um autor?. In: ______. Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. Organização e seleção de textos Manoel Barros da Motta. Tradução Inês Autran Dourado Barbosa. 2. ed.Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006, p. 264 -298 (Ditos e Escritos, vol 3).
Para Foucault, há inúmeras questões quando se examina a noção da obra, e que são ,certamente, tão problemáticas quanto os temas suscitados pela individualidade do autor.
FOUCAULT, Michel. O que é um autor?. In: ______. Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. Organização e seleção de textos Manoel Barros da Motta. Tradução Inês Autran Dourado Barbosa. 2. ed.Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006, p. 264 -298 (Ditos e Escritos, vol 3).